O presidente do Vitória, Fábio Mota, voltou a se manifestar sobre a polêmica envolvendo a Liga Forte União (LFU) e reforçou que a insatisfação do clube não está relacionada ao desconto de 15% das receitas previsto em contrato. Em entrevista ao Bahia Notícias, nesta quarta-feira (5), o dirigente afirmou que o questionamento do Rubro-Negro é o tratamento diferente dado ao Atlético-MG, que, segundo ele, vive situação contratual semelhante.
Na avaliação de Mota, a diferença na aplicação dos descontos cria um desequilíbrio financeiro e esportivo entre clubes que disputam diretamente as mesmas competições.

Por que o Vitória reclama do tratamento da LFU?
Segundo Fábio Mota, tanto Vitória quanto Atlético-MG deixaram a Libra para integrar a LFU, com efeitos práticos previstos para 2029. Apesar da semelhança entre os contratos, o presidente afirma que apenas o clube baiano já tem 15% das receitas retidas.
“O problema não é descontar 15%, porque desconto é de todos. Isso aí é no contrato. O problema é descontar do Vitória e não do Atlético. Os dois clubes têm casos iguais, tanto o Vitória quanto o Atlético, a partir de 2029, saem da Libra e vão para LFU. Só que a LFU hoje desconta do Vitória, que está certo [em pagamentos], e não desconta do Atlético.”
Para o dirigente, o debate não envolve a existência da cláusula contratual, mas a forma como ela vem sendo aplicada entre clubes que estariam em condições equivalentes.
Como Fábio Mota avalia o impacto no Campeonato Brasileiro?
Na entrevista, o presidente do Vitória afirmou que a diferença no tratamento financeiro acaba refletindo diretamente na competitividade esportiva. Segundo ele, clubes que brigam na mesma faixa da tabela deveriam disputar a competição em igualdade de condições.
“Vitória e Atlético estão brigando pela mesma posição da tabela. Estão no mesmo nível. Isso desequilibra o campeonato do ponto de vista técnico. Quando você tira o dinheiro, você desequilibra do ponto de vista técnico. O tratamento da LFU, que teria que ser igualitário para Vitória e Atlético, não está sendo. Está sendo desequilibrado. Está tratando um melhor do que o outro. E isso é ruim.”
O Vitória já recebeu R$ 68,2 milhões referentes ao acordo financeiro firmado para a mudança de bloco. Conforme o clube tem sustentado, o questionamento não é sobre a obrigação contratual, mas sobre o momento em que os descontos passaram a ser realizados em comparação com outros clubes.
O que acontece agora?
A discussão ganhou um novo capítulo após a Federação Bahiana de Futebol (FBF) apresentar representação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A medida, divulgada inicialmente pelo Lance! e confirmada pelo Bahia Notícias, busca apurar se há tratamento desigual entre clubes que possuem contratos considerados semelhantes.
Na petição, a FBF solicita que a Sports Media Entertainment (SME) apresente informações sobre contratos, percentuais negociados, datas de início dos descontos, valores retidos em 2026 e os critérios utilizados para eventuais diferenças de tratamento. O processo tramita no Cade, que já analisa um procedimento iniciado pelo CSA relacionado à atuação da SME dentro da LFU.
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