A conquista do título da Copa do Nordeste pelo Vitória no último sábado (6), no Barradão, foi marcada por denúncias de agressões envolvendo policiais militares nas imediações do estádio. Dois torcedores procuraram a produção da TV Bahia para relatar episódios de violência ocorridos antes e depois da decisão contra o Fortaleza.
Um dos relatos é de Geilson Santos, sócio-torcedor do Vitória. Segundo ele, estava acompanhado da filha na fila de acesso ao estádio quando um tumulto teve início. De acordo com o torcedor, a situação foi controlada pela Polícia Militar com disparos de balas de borracha.
Geilson afirma ter sido atingido na cabeça e na barriga durante a ação. Após receber atendimento médico, ele não conseguiu assistir à partida no Barradão. O torcedor informou ainda que procurou a delegacia de Pau da Lima, onde recebeu orientação para registrar a ocorrência junto à Corregedoria da Polícia Militar.

Outro caso foi relatado por João Vitor Ramos Vale, técnico em refrigeração. Ele contou que estava próximo ao estádio ajudando uma amiga que utiliza muletas a solicitar um carro por aplicativo quando foi surpreendido pela ação policial.
Segundo João Vitor, ele sentiu os efeitos de gás de pimenta, ouviu disparos de balas de borracha e percebeu a aproximação de um policial portando um cassetete. Ao levantar o braço para se proteger, afirma que tentou explicar que auxiliava uma pessoa com deficiência, mas acabou sendo agredido.
O torcedor recebeu diagnóstico de lesão no braço e foi orientado a permanecer afastado do trabalho por oito dias. Ele afirma que o período de recuperação também causará prejuízos financeiros devido à impossibilidade de exercer sua atividade profissional.
Além dos relatos, vídeos que circulam nas redes sociais mostram uma ação policial no estacionamento do Barradão, local tradicionalmente utilizado por torcedores para confraternizações antes e depois das partidas do Vitória.
PM abre procedimento para apurar denúncias
Em nota, a Polícia Militar da Bahia informou que tomou conhecimento dos vídeos e relatos divulgados nas redes sociais e destacou que o policiamento da final foi planejado para garantir a segurança dos torcedores e demais envolvidos no evento.
A corporação informou ainda que o Comando-Geral determinou a abertura de um procedimento apuratório por meio da Corregedoria da PMBA.
“A Polícia Militar da Bahia reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o aperfeiçoamento contínuo de seus procedimentos, assegurando que os fatos serão rigorosamente apurados no âmbito dos órgãos competentes da corporação”, afirmou a instituição.

Vitória acompanha o caso
O Vitória também se manifestou sobre as denúncias e informou que está realizando apurações internas: “Ressaltamos que nosso torcedor é nosso maior patrimônio e jamais vamos concordar com tal conduta. O clube está apurando internamente o que aconteceu na ocasião e irá se pronunciar assim que as apurações finalizarem”, declarou o clube.
O setor de comunicação do Rubro-Negro informou ainda que os acontecimentos registrados no estacionamento do estádio estão sendo avaliados pelo departamento de patrimônio, que ainda não havia emitido posicionamento até a última atualização do caso.
Polícia Civil e Ministério Público
A Polícia Civil informou que as ocorrências citadas não foram localizadas nos sistemas consultados. Já o Ministério Público da Bahia comunicou que irá analisar o caso antes de se posicionar oficialmente. Até o momento, não houve retorno do órgão.
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