O Vitória passou a questionar internamente um dos principais acordos firmados pelo clube fora das quatro linhas. Dirigentes rubro-negros descobriram recentemente que o Atlético-MG, apesar de também integrar a Futebol Forte União (FFU) e ter fechado negócio semelhante com a Sports Media Entertainment (SME), ainda recebe integralmente suas receitas de televisão e publicidade em 2026.
Já o Rubro-Negro vive uma realidade diferente. Desde o início desta temporada, 15% dos valores que o clube recebe pelos direitos de transmissão e publicidade são descontados diretamente na origem, antes mesmo de o dinheiro entrar nos cofres do Vitória.
A diferença de tratamento gerou incômodo nos bastidores do Barradão e abriu um novo debate sobre os impactos financeiros do acordo firmado pela liga.

Por que o Vitória questiona o acordo da FFU?
O ponto que chamou atenção da diretoria é que Vitória e Atlético-MG aderiram à FFU e ao acordo com a SME no segundo semestre de 2025. Na ocasião, os clubes receberam um aporte financeiro à vista e, em contrapartida, cederam um percentual das futuras receitas de transmissão e publicidade. No entanto, segundo dirigentes rubro-negros, apenas o Vitória já começou a arcar com esse desconto em 2026.
Enquanto isso, o Atlético-MG continua recebendo 100% dos repasses referentes ao Campeonato Brasileiro nesta temporada. A principal dúvida levantada nos bastidores é simples: por que apenas o Vitória já está pagando essa conta?
Quanto o Vitória deixa de receber?
O impacto financeiro é considerado significativo. A estimativa é que os 15% descontados das receitas representem aproximadamente R$ 15 milhões ao longo de 2026. Para efeito de comparação, esse valor supera o investimento realizado pelo clube nas contratações de Baralhas e Erick, dois jogadores que se tornaram peças importantes do elenco rubro-negro.
Em um clube que trabalha com orçamento inferior ao das principais equipes do país, qualquer redução nas receitas influencia diretamente o planejamento esportivo e financeiro.
Como isso afeta o planejamento do Vitória?
Nos bastidores, o entendimento é que a situação amplia as dificuldades enfrentadas pelo clube. Além da diferença de investimento em relação aos principais concorrentes, o Vitória já convive com desafios como viagens mais longas, menor arrecadação e menor poder de investimento.
Após a derrota para o Palmeiras, o presidente Fábio Mota resumiu esse cenário ao comentar as dificuldades enfrentadas pelos clubes nordestinos.
“Não quero me vitimizar, mas é difícil fazer futebol no Nordeste. Você tem um investimento menor, viaja mais e ainda tem que passar por esse tipo de coisa.”
Embora a declaração tenha sido motivada pelas críticas à arbitragem, o sentimento também reflete as dificuldades enfrentadas pelo clube fora de campo.
O que pode acontecer agora?
Até o momento, o Vitória busca esclarecimentos sobre os critérios adotados no acordo envolvendo a FFU e a SME. Nos bastidores, a diretoria pretende entender por que o modelo de desconto passou a valer imediatamente para o clube baiano, enquanto o Atlético-MG continua recebendo integralmente sua participação nas receitas da Série A.
O tema ganhou importância justamente em um momento em que o Rubro-Negro busca ampliar sua competitividade dentro de campo e equilibrar as contas para seguir investindo no elenco.
Enquanto aguarda respostas sobre o caso, o Vitória mantém o foco na sequência da temporada, dividindo as atenções entre a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.

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