Vitória recebe apoio da FBF em disputa por receitas da Futebol Forte União

Ricardo Lima, FBF, Vitória
Ricardo Lima, FBF, Vitória

O Vitória ganhou um importante aliado na disputa envolvendo a Futebol Forte União (FFU). A Federação Bahiana de Futebol (FBF) protocolou uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) após as denúncias feitas pelo presidente Fábio Mota sobre um suposto tratamento desigual no acordo firmado com a investidora Sports Media Entertainment (SME).

Segundo a reportagem do Lance!, a federação pede que o Cade determine a apresentação dos contratos firmados pela SME com os clubes e apure por que apenas o Vitória estaria sofrendo retenção de 15% das receitas de transmissão e publicidade em 2026, enquanto o Atlético-MG, que aderiu ao mesmo modelo de negócio, seguiria recebendo integralmente seus repasses.

Por que a FBF decidiu entrar no caso?

O presidente da FBF, Ricardo Nonato Macedo de Lima, classificou a situação como injustificável e afirmou que a entidade buscará garantir tratamento igualitário ao clube baiano.

“É completamente inaceitável essa situação que se descobriu agora. Dois clubes fazem o mesmo acordo, mas recebem tratamentos completamente distintos. Não há razão para que só o Vitória esteja sendo vítima desses descontos de 15%. Isso aí já sai do plano do investimento e entra no campo desportivo. É o investidor se achando dono do jogo, decidindo com quanto cada time vai competir. Vamos lutar em todas as instâncias para que o Vitória receba tratamento isonômico e o futebol baiano não seja menosprezado!”, declarou.

Na petição apresentada ao Cade, a FBF solicita que a SME informe os contratos celebrados com os clubes, os percentuais negociados, os valores já retidos em 2026 e os critérios utilizados para eventual diferença de tratamento entre equipes em situação semelhante.

Segundo a federação, a falta de transparência impede que os clubes conheçam as condições negociadas pelos concorrentes, o que pode gerar desequilíbrio esportivo.

O que Fábio Mota questiona no acordo?

A representação da FBF reforça o argumento apresentado pelo presidente do Vitória em entrevista ao Lance!. Segundo Fábio Mota, os contratos assinados pelos clubes seguem um modelo padronizado e, no caso de Vitória e Atlético-MG, ambos negociaram a cessão de 15% das receitas.

“Os contratos são iguais. São padrão, são iguais para todos. O que você muda é o que você vendeu, se 15%, se 20%, se 30%. No meu caso foi 15%, o dele também foi 15%. (…) Do ponto de vista técnico, há um desequilíbrio, porque, quando você tem um desequilíbrio do ponto de vista financeiro, você tem um desequilíbrio do ponto de vista técnico. Então, não dá para a FFU tratar casos iguais lá dentro, com dois pesos e duas medidas.”

O dirigente afirma que o Vitória já sofre os descontos na origem, enquanto o Atlético-MG continua recebendo integralmente sua parte das receitas do Campeonato Brasileiro.

Qual foi a resposta da SME?

Em nota enviada ao Lance!, a Sports Media Entertainment afirmou que a petição apresentada pela FBF trata de questões relacionadas à execução e à interpretação de contratos privados, tema que, segundo a empresa, extrapola o objeto da análise atualmente em curso no Cade.

A SME informou ainda que eventuais divergências contratuais possuem “vias próprias de discussão” e declarou que continuará prestando os esclarecimentos solicitados pelo órgão antitruste.

O que acontece agora?

O pedido da FBF será analisado dentro do processo já existente no Cade, iniciado pelo CSA em junho deste ano. Entre os requerimentos apresentados pela federação está a adoção de medidas que garantam tratamento isonômico entre os clubes e impeçam diferenças na retenção de receitas entre equipes que estejam em condições contratuais equivalentes.

Enquanto aguarda os próximos desdobramentos do caso, o Vitória segue acompanhando o processo e mantém a cobrança para receber o mesmo tratamento dado aos demais integrantes da FFU.

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Fábio Mota, Vitória
Fábio Mota, Vitória