Vivendo um momento de transição mais controlado após anos de instabilidade, o Vitória chega à temporada 2026 com um objetivo claro: deixar de apenas sobreviver na Série A para, enfim, se consolidar na elite do futebol nacional.
Depois de cinco temporadas fora da Primeira Divisão e um retorno que começou em 2023, o Vitória atinge, em 2026, seu terceiro ano seguido na Série A.
Um marco importante para um clube que, historicamente, viu muitos times recém-promovidos não resistirem por muito tempo na elite, a média costuma ser inferior a três temporadas.
Mais do que permanecer, o Rubro-Negro agora busca estabilidade. E essa mudança de mentalidade passa diretamente pela forma como o clube atua no mercado.
Diferente dos últimos anos, quando promoveu grandes reformulações no elenco, o Vitória adotou uma postura mais seletiva em 2026. Foram 14 contratações na primeira janela, metade do número registrado em 2024 e 2025, quando o clube trouxe 28 jogadores em cada temporada.
A explicação está dentro de casa. A diretoria optou por manter uma base considerada competitiva, renovando contratos de peças importantes como Baralhas, Jamerson e Erick. O movimento sinaliza uma tentativa clara de dar continuidade ao trabalho e reduzir a rotatividade no elenco.

Aprendizado com os erros
O novo planejamento também é reflexo direto das experiências recentes. Em 2024, primeiro ano de volta à Série A, o Vitória apostou em uma reformulação ampla, mas teve retorno limitado: pouco mais da metade dos jogadores contratados teve aproveitamento relevante, e muitos sequer atingiram 50% de participação em campo.
O cenário se repetiu em 2025, com novo alto volume de contratações e queda no índice de aproveitamento. Além disso, a instabilidade no comando técnico, com quatro treinadores ao longo da temporada, dificultou a criação de identidade para a equipe.
Ainda assim, o clube conseguiu preservar uma espinha dorsal. Atletas como Gabriel, Jamerson, Baralhas, Ronald, Aitor e Erick permaneceram e hoje formam a base do elenco.
Esse fator ajuda a explicar a evolução observada em 2026: o aproveitamento dos jogadores subiu para 62%, com nomes como Cacá, Martínez e Tarzia ganhando protagonismo.
Base como prioridade
Outro pilar importante dessa reconstrução é o fortalecimento das categorias de base. O Vitória tem ampliado o espaço para jovens no time, tanto em minutagem quanto em presença no elenco. Casos como o de Arcanjo, já consolidado, e do volante Edenilson, cada vez mais utilizado, ilustram essa política.
Durante o Campeonato Baiano, o clube chegou a escalar equipes sub-23 em algumas rodadas, reforçando a estratégia de integração entre base e profissional. A meta da diretoria é clara: alcançar, até o fim de 2026, um elenco com pelo menos 30% de atletas formados no clube.

Controle financeiro e competitividade
Mesmo com 14 contratações, o Vitória aparece apenas na 16ª posição em investimentos na Série A, além de ocupar a mesma colocação em folha salarial. Os números mostram um clube mais cauteloso e atento ao equilíbrio financeiro.
Segundo o diretor de futebol Sérgio Papellin, a tendência é que o número de reforços diminua ainda mais nos próximos anos, seguindo um caminho natural de clubes que buscam estabilidade na elite: “Com o passar do tempo na Série A, o clube tende a contratar menos e qualificar mais o elenco”, destacou.
Papellin também reforçou a importância da base nesse processo, não apenas como estratégia esportiva, mas também financeira: “A utilização de jogadores formados no clube reduz custos e permite investir melhor em peças pontuais”, explicou.
O desafio do novo Vitória
O grande desafio do Vitória agora é transformar organização em desempenho dentro de campo. A missão é clara: montar um time competitivo sem comprometer as finanças, algo cada vez mais valorizado no futebol brasileiro.
“Não existe fórmula pronta. O futebol não é uma ciência exata, mas nossos indicadores mostram evolução”, concluiu o dirigente.
Com um elenco mais estável, maior integração da base e uma política mais eficiente no mercado, o Vitória tenta dar um passo além: deixar de ser coadjuvante e se firmar, de vez, entre os protagonistas da Série A.
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